Maiores fundos de previdência rendem menos que o CDI

Com as manchetes nada animadoras dando conta de como será difícil se aposentar nos próximos anos, é bastante tentador aceitar o primeiro plano de previdência privada oferecido pelo gerente do banco.

Quem contratou um dos dez maiores fundos de previdência do Brasil nos últimos anos – oferecidos por Banco do Brasil (BrasilPrev), Bradesco e Itaú – terá um patrimônio acumulado menor do que poderia obter em outras aplicações. Levantamento feito pela plataforma de investimentos Magnetis mostra que todos esses fundos têm rendimento abaixo do CDI. Para a simulação, foi considerado o valor de aplicação de R$ 100 mil em cada um desses fundos, por 1, 5 e 10 anos.

Mas por que esses são os fundos de previdência mais contratados, se os rendimentos oferecidos deixam a desejar? “Muito se deve à comodidade do cliente e do poder de convencimento dos gerentes, que precisam bater metas”, diz Daniel Januzzi, consultor com certificado CFP da Magnetis.

Para ele, o medo de depender do governo e não conseguir se aposentar, somado ao desconhecimento, colabora para que as pessoas aceitem rendimentos baixos e nos bancos onde já têm conta. “A gente não tem nenhuma aula de finanças no colégio e isso acaba trazendo esses efeitos indesejados”, diz Januzzi.

Além de render menos que as operações mais básicas oferecidas no mercado, existe outra característica que une todos esses dez fundos. Eles aplicam o dinheiro de seus clientes integralmente em renda fixa.

Esse fato vai na contramão de uma lição básica do mundo dos investimentos: quanto maior o prazo da aplicação, mais risco você pode tomar no meio do caminho para construir seu patrimônio. E, em tese, investimentos de previdência são (ou deveriam ser) para o longo prazo.

“Vemos hoje uma concentração muito grande dos investidores na renda fixa”, diz Januzzi. Ele explica que, se um cliente tem um longo prazo para investir pela frente, o ideal é fazer aportes em fundos com alguma parcela de renda variável em suas carteiras – diferentemente dos planos de previdência privada, em geral, oferecido por gerentes de banco.

Os bancos rebatem a tese de que há recomendação aos seus gerentes para que ofereçam preferencialmente esses planos de previdência. Tampouco, segundo eles, há programa de metas e pagamentos de bônus atrelados à oferta desses fundos.

Fonte: valorinveste.com – por Gustavo Ferreira – 08/05/2019

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