Tudo sobre Renda Fixa no mês (e o que esperar)

Em setembro, houve novo corte na taxa Selic, dessa vez para 5,5%. Expectativas mais otimistas do mercado para o cenário econômico brasileiro levaram as projeções para taxa de juros futura a reduzir (fechamento da curva de juros). Como resultado, os preços dos títulos públicos subiram. Do lado de emissões privadas, o crescimento de 5% no estoque de CDBs foi destaque e a tendência de alongamento de prazo de debêntures se manteve.

Em outubro, a votação da Reforma da Previdência passará pelo segundo turno no Senado e a expectativa acerca de possíveis novas desidratações devem trazer volatilidade sobre a curva de juros. No médio a longo prazo, continuamos com viés otimista para a economia brasileira, com expectativa de Selic a 4,5% ao final do ano. Mesmo com queda na taxa de juros, esperamos que o mercado continue aquecido para novas emissões de dívida corporativa.

No Radar

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Destaque do Mês

Banco Central do Brasil cortou juro em 0,50 p.p. (ponto percentual); esperamos que a taxa Selic passe para 4,50% ainda em 2019;
Tentativa de recriar CPMF derruba Marcos Cintra, ex-chefe da Receita Federal;
Ataque à maior produtora de petróleo da Arábia Saudita e pedido de impeachment do presidente Trump nos EUA acentuaram a aversão a risco global.

O que esperar?

Votação da Reforma da Previdência em segundo turno no Senado, após desidratação acima do esperado no primeiro turno;
Governo deve apresentar sua proposta de Reforma Tributária. Conciliação das propostas segue no radar;
Riscos a monitorar:
• Ambiente internacional ainda incerto, com a continuidade de tensões comerciais e possibilidade de saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo bilateral no próximo dia 31.
• No ambiente doméstico, foco segue no avanço (gradual) das reformas estruturais e nas decisões de política monetária do COPOM.

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Destaques do mês

Queda das expectativas do mercado para os juros futuros, por redução de tensões e incertezas.
Escalada de preços dos títulos com a queda de juros (entenda a relação entre preços e juros). Alta significativa em 12 meses.
• Quanto mais longo o título, maior o risco e maiores as variações nos preços com mudanças de juros.
Comparação com a curva de um ano atrás mostra a diferença em relação ao cenário atual, que reflete menores incertezas.

O que esperar?

Ainda vemos oportunidade em títulos prefixados, pois acreditamos que cortes maiores na taxa Selic ainda não estão precificados na curva (esperamos Selic de 4,5% ao final de 2019 e a curva precifica cerca de 5,0%).

• Para outubro, recomendamos o Tesouro Prefixado 2022 para perfis Moderado e Agressivo.
Escolha de acordo com o seu perfil.

Emissões de crédito privado indexadas à inflação têm como referência a NTN-B de duração média do vencimento (duration). Por isso é sempre importante acompanhar o indicador para saber a rentabilidade esperada desses ativos.

O mercado de Renda Fixa

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No mês de setembro, a captação líquida da Poupança ficou positiva em R$8,7 bilhões. No entanto, o acumulado do ano é negativo em cerca de R$6 bilhões.

Vale lembrar que, considerando a queda na taxa Selic para 5,5% e o rendimento da Poupança, de 70% dessa taxa, essa aplicação fica cada vez menos atraente.

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No caso do Tesouro Direto, em agosto (último dado disponível) foi possível observar captação líquida negativa novamente.

No entanto, vale destacar que no mês de agosto houve pagamento juros de R$149 milhões do título indexado ao IPCA com juros semestrais (vencimentos em 2026 e 2050). Esse pagamento tem efeito de resgate nos cálculos do Tesouro.

Sem esse efeito, a captação líquida teria sido positiva em R$23 milhões (sem considerar possíveis reinvestimentos).

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Estoque (Emissões Bancárias e Crédito Privado)

Em setembro, o estoque de emissões bancárias cresceu 3% em relação a agosto, puxado principalmente por CDBs (+5%). Os estoques dos outros ativos permaneceram praticamente inalterados. O estoque de ativos de crédito privado manteve a tendência observada no ano, que é de crescimento. Nos 9M19, já são 12% acima do estoque de 2018.

Ao longo do mês, houve aumento de emissões de debêntures, CRAs e CRIs, embora a retomada nas emissões vinculadas ao mercado imobiliário ainda esteja tímida.

O volume de debêntures (incentivadas ou não) emitidas atingiu R$125 bilhões nos 9M19, crescimento de 10% em relação ao mesmo período no ano anterior.

No período, pôde-se também observar aumento do prazo médio das emissões realizadas em comparação com 2018. Prazos mais longos representam risco mais alto, o que se traduz em taxas de emissão mais elevadas (e portanto mais atraentes aos investidores).

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Já o volume emitido de debêntures incentivadas, com foco em financiamento à infraestrutura e isentas de imposto de renda, vem crescendo.

Nos primeiros oito meses de 2019, já foram emitidos R$17 bilhões desse tipo de instrumento, sendo que, seguindo a tendência observada nos últimos anos, o setor de energia elétrica representa a maior parte das emissões.

Acreditamos que a tendência de alta de emissões deva continuar, em linha com expectativa de crescimento econômico e investimento do governo em novos projetos.

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